quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A MÚSICA BRASILEIRA DESTE SÉCULO POR SEUS AUTORES E INTÉRPRETES




A MÚSICA BRASILEIRA DESTE SÉCULO POR SEUS AUTORES E INTÉRPRETES - LUPICÍNIO RODRIGUES
Lupicínio Rodrigues (2000)
2000
SESC - SP
JCB-0709-009
Crítica
Cotação:
"Querem saber porque eu sou o criador da dor-de-cotovelo? Eu tinha um programa na Rádio Record, que quando eu terminava de cantar minhas músicas, todo mundo chorava. Naquela época, de fato eu estava sofrendo muito, fazia músicas muito tristes que fizeram sucesso". É dessa forma que começa o CD dedicado ao gaúcho Lupicínio Rodrigues, da série A Música Brasileira Deste Século por Seus Autores e Intérpretes. Além de cantar suas músicas mais representativas, que fizeram sangrar os cotovelos dos brasileiros dos anos 40 e 50, ele conta as curiosas histórias de seus sambas e de sua trajetória artística. Ele diz, por exemplo, que foi o apresentador Blota Jr. quem o batizou de "criador da dor-de-cotovelo" e vai logo avisando que tal dor pode ser de dois tipos – estadual ("aquela da noite, que a gente encontra um amor e depois fica sentindo saudade") e federal ("que a gente não esquece nunca, fica pelo resto da vida"). Por que ele escrevia letras tão tristes, como Nunca, Cadeira Vazia e Esses Moços, Pobres Moços? "Andaram me fazendo umas sujeirinhas por aí...", justifica. E logo após, ataca de Vingança, que foi imortalizada por Linda Batista, em 1952, e de Nervos de Aço – "Você sabe o que é ter um amor, meu senhor, ter loucura por uma mulher e depois encontrar esse amor nos braços de um tipo qualquer". Muitas vezes, os temas e as letras de Lupicínio beiram o mau gosto. E são muito machistas. Como crônica de época, são perfeitas. Mostram o quanto as mulheres eram subjugadas, tratada como algozes dos homens. São sempre as que os traem, as que brigam, aporrinham e os maltratam. Mas suas soluções musicais e poéticas são tão bem estruturadas que, de um modo geral, ficam muito acima dos compositores contemporâneos a ele. É o caso de Braza: "Toda vez que eu chego em casa, desce logo uma explosão/ Ciúme de mim, não acredito!/ Pois meu bem, não é com grito que se prende um coração/ Desculpe a minha pergunta, mas quem tanta asneira junta lhe ensinou a me falar/ Seu professor bem podia ensinar que não devia deste modo me tratar". Isso é um soco, não é nem um tapa... Outra terrível é Castigo ("Foi feita para a mesma pessoa de Cadeira Vazia, quando já estava mais crescidinha"). "A mulher quando é moça e bonita/ Nunca acredita poder tropeçar/ Quando os espelhos lhe dão conselhos é que procuram em quem se agarrar", detona a letra. Sempre confessional em suas letras, Lupicínio só não revela a história que gerou Ela Disse-me Assim, que, para variar, era o retrato de um fato real. "Tem história, mas é censurada. É uma história desses romances proibidos". (Rodrigo Faour)
Faixas

1 Vingança (Lupicínio Rodrigues)
2 Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues)
3 Maria Rosa (Alcides Gonçalves, Lupicínio Rodrigues)
4 Braza (Felisberto Martins, Lupicínio Rodrigues)
5 Cadeira Vazia (Alcides Gonçalves, Lupicínio Rodrigues)
6 Castigo (Alcides Gonçalves, Lupicínio Rodrigues)
7 Dona Divergência (Felisberto Martins, Lupicínio Rodrigues)
8 Ela disse-me assim (vá embora) (Lupicínio Rodrigues)
9 Esses moços (Lupicínio Rodrigues)
10 Se acaso você chegasse (Felisberto Martins, Lupicínio Rodrigues)
11 Nunca (Lupicínio Rodrigues)
12 Quem há de dizer (Alcides Gonçalves, Lupicínio Rodrigues)
13 Ponta de lança (Lupicínio Rodrigues)
14 Rosário de esperança (Lupicínio Rodrigues)
15 Judiaria (Lupicínio Rodrigues)
16 Homenagem (Lupicínio Rodrigues)




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