
MÚSICA BRASILEIRA DESTE SÉCULO POR SEUS AUTORES E INTÉRPRETES - BADEN POWELL
Baden Powell (2000)
2000
SESC - SP
JCB-0709-021
Crítica
Cotação:
O violão de Baden Powell influenciou uma geração inteira de instrumentistas, dos anos 60 pra cá. Na entrevista ao programa Ensaio feita em 1990 e reproduzida neste disco da coleção lançada pelo Sesc-SP, Baden traça sua vida e sua carreira em uma hora de música (só voz e violão) e conversa. Muito apropriadamente em se tratando de um músico profissional desde os 15 anos de idade, a memória de Baden se dá através das música. Da infância e adolescência, com influência do pai – o entusiasta de escotismo que tocava violino e lhe deu as primeiras noções de música –, Baden se lembra tocando a valsa Revendo o Passado (Freire Jr) e Naquele Tempo, de Benedito Lacerda e Pixinguinha, aqui numa versão com ecos do espanhol Agustín Barrios (1885-1944), compositor que pontuou os estudos clássicos de Baden. Pixinguinha, ele conheceu na casa do primeiro e grande professor de violão, o lendário Meira ("que me ensinou tudo de violão") e na Rádio Nacional. Criado em São Cristóvão, Baden também freqüentava a Mangueira, e não esconde sua admiração por Nelson Cavaquinho. Pois aqui está a oportunidade de ouvir o violonista tocando Palhaço, grande sucesso de Nelson na voz de Dalva de Oliveira. Nos anos 50, as lembranças voam para as noitadas da boate Plaza, onde, aos 16 e 17 anos, tocava ao lado de Ed Lincoln, Luiz Eça, Johnny Alf, Tom Jobim (ainda estudante de arquitetura), João Donato, e às vezes esbarrava com um certo "Joãozinho", que, depois que todos os clientes iam embora, sentava e tocava em seu violão "umas coisas assim, tipo ‘bim bom, bim, bom’", que mais tarde viriam para revolucionar a música brasileira. "O Plaza foi o início de tudo", lembra Baden, tocando Minha Saudade (João Donato/João Gilberto), Rapaz de Bem (Johnny Alf) e Samba Triste, seu primeiro sucesso, parceria com Billy Blanco, de uma época em que tocava com Dolores Duran. Um pouco mais tarde, no início dos anos 60, veio a parceria com Vinicius de Moraes. Dessa dupla as histórias são muitas e já conhecidas. Algumas são aqui confirmadas pelo compositor, como a de que, pouco depois de terem se conhecido, Baden foi para a casa de Vinicius fazer uma música e acabou morando lá por quatro meses, quando produziram um quantidade respeitável de obras-primas. Não por acaso, dez das vinte músicas do disco são assinadas pela dupla Baden Powell-Vinicius de Moraes. Há muitas outras boas histórias, como a de que Formosa foi feita com Vinicius em homenagem a uma passageira do trem São Paulo-Rio (que os dois pegaram porque morriam de medo de avião) ou a de que Paulo César Pinheiro, seu parceiro em Lapinha e outros tantos sucessos, morava na casa em São Cristóvão onde Baden havia sido criado. Leia mais sobre a coleção A Música Brasileira Deste Século por Seus Autores e Intérpretes do Sesc-SP (Nana Vaz de Castro)
Faixas
1 Voltei (Baden Powell, Paulo César Pinheiro)
2 Revendo o passado (Freire Jr.)
3 Naquele tempo (Benedito Lacerda, Pixinguinha)
4 Palhaço (Washington Fernandes, O. Martins, Nelson Cavaquinho)
5 Minha saudade (João Donato, João Gilberto)
6 Rapaz de bem (Johnny Alf)
7 Samba triste (Baden Powell, Billy Blanco)
8 Deixa (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
9 Tem dó (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
10 O astronauta (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
11 Samba em prelúdio (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
12 Formosa (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
13 Bocoché (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
14 Canto de Yemanjá (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
15 Tristeza e solidão (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
16 Canto de Ossanha (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
17 Canto de capoeira (Folclore)
18 Berimbau (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
19 Lapinha (Baden Powell, Paulo César Pinheiro)
20 Falei e disse (Baden Powell, Paulo César Pinheiro)
Baden Powell (2000)
2000
SESC - SP
JCB-0709-021
Crítica
Cotação:
O violão de Baden Powell influenciou uma geração inteira de instrumentistas, dos anos 60 pra cá. Na entrevista ao programa Ensaio feita em 1990 e reproduzida neste disco da coleção lançada pelo Sesc-SP, Baden traça sua vida e sua carreira em uma hora de música (só voz e violão) e conversa. Muito apropriadamente em se tratando de um músico profissional desde os 15 anos de idade, a memória de Baden se dá através das música. Da infância e adolescência, com influência do pai – o entusiasta de escotismo que tocava violino e lhe deu as primeiras noções de música –, Baden se lembra tocando a valsa Revendo o Passado (Freire Jr) e Naquele Tempo, de Benedito Lacerda e Pixinguinha, aqui numa versão com ecos do espanhol Agustín Barrios (1885-1944), compositor que pontuou os estudos clássicos de Baden. Pixinguinha, ele conheceu na casa do primeiro e grande professor de violão, o lendário Meira ("que me ensinou tudo de violão") e na Rádio Nacional. Criado em São Cristóvão, Baden também freqüentava a Mangueira, e não esconde sua admiração por Nelson Cavaquinho. Pois aqui está a oportunidade de ouvir o violonista tocando Palhaço, grande sucesso de Nelson na voz de Dalva de Oliveira. Nos anos 50, as lembranças voam para as noitadas da boate Plaza, onde, aos 16 e 17 anos, tocava ao lado de Ed Lincoln, Luiz Eça, Johnny Alf, Tom Jobim (ainda estudante de arquitetura), João Donato, e às vezes esbarrava com um certo "Joãozinho", que, depois que todos os clientes iam embora, sentava e tocava em seu violão "umas coisas assim, tipo ‘bim bom, bim, bom’", que mais tarde viriam para revolucionar a música brasileira. "O Plaza foi o início de tudo", lembra Baden, tocando Minha Saudade (João Donato/João Gilberto), Rapaz de Bem (Johnny Alf) e Samba Triste, seu primeiro sucesso, parceria com Billy Blanco, de uma época em que tocava com Dolores Duran. Um pouco mais tarde, no início dos anos 60, veio a parceria com Vinicius de Moraes. Dessa dupla as histórias são muitas e já conhecidas. Algumas são aqui confirmadas pelo compositor, como a de que, pouco depois de terem se conhecido, Baden foi para a casa de Vinicius fazer uma música e acabou morando lá por quatro meses, quando produziram um quantidade respeitável de obras-primas. Não por acaso, dez das vinte músicas do disco são assinadas pela dupla Baden Powell-Vinicius de Moraes. Há muitas outras boas histórias, como a de que Formosa foi feita com Vinicius em homenagem a uma passageira do trem São Paulo-Rio (que os dois pegaram porque morriam de medo de avião) ou a de que Paulo César Pinheiro, seu parceiro em Lapinha e outros tantos sucessos, morava na casa em São Cristóvão onde Baden havia sido criado. Leia mais sobre a coleção A Música Brasileira Deste Século por Seus Autores e Intérpretes do Sesc-SP (Nana Vaz de Castro)
Faixas
1 Voltei (Baden Powell, Paulo César Pinheiro)
2 Revendo o passado (Freire Jr.)
3 Naquele tempo (Benedito Lacerda, Pixinguinha)
4 Palhaço (Washington Fernandes, O. Martins, Nelson Cavaquinho)
5 Minha saudade (João Donato, João Gilberto)
6 Rapaz de bem (Johnny Alf)
7 Samba triste (Baden Powell, Billy Blanco)
8 Deixa (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
9 Tem dó (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
10 O astronauta (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
11 Samba em prelúdio (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
12 Formosa (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
13 Bocoché (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
14 Canto de Yemanjá (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
15 Tristeza e solidão (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
16 Canto de Ossanha (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
17 Canto de capoeira (Folclore)
18 Berimbau (Baden Powell, Vinicius de Moraes)
19 Lapinha (Baden Powell, Paulo César Pinheiro)
20 Falei e disse (Baden Powell, Paulo César Pinheiro)
Nenhum comentário:
Postar um comentário